Criando uma Nova Realidade Interior

“Porque o SENHOR não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o SENHOR olha para o coração.” (1Sm 16, 7)

Um grande sábio judeu do séc. II disse, certa vez, que “não é a ação que gera recompensa aos homens, mas a intenção que a determinou”.

Este é um conceito difícil de se assimilar, especialmente no mundo contemporâneo, o qual prioriza os resultados em detrimento dos processos e valoriza os relacionamentos apenas na medida dos benefícios que estes oferecem ou podem oferecer. Todos nós, nascidos segundo a natureza humana, temos em nós a semente da cobiça e do interesse pessoal. Estamos contaminados com a inclinação de colocar nossos próprios desejos e interesses acima de qualquer outro interesse.

E assim, as pessoas são guiadas apenas por sua percepção individual e por seu raciocínio individualista. Em tudo o que fazemos, o cálculo do que é “razoável”, puramente egoísta, é a base das nossas ações. Calculamos a quantidade de vantagens que esperamos auferir e comparamos com a quantidade de esforço requerida para sua conquista. Então, subtraímos um do outro para calcular o custo e depois decidimos se perseguiremos aquele objetivo ou se escolhemos a tranqüilidade de deixar tudo como está.

Muitas vezes, temos buscado a Deus nessa mesma perspectiva: dedicamo-nos a esta ou àquela doutrina em função da relação “o que me é oferecido X o que vai me custar”. Então, se “valer a pena”, fazemos o que é requerido de nós, pois o benefício que iremos auferir será compensador.

Contudo, de nada adianta “fazer” o que quer que seja, se continuamos movidos por tamanho egoísmo. A Palavra de Deus diz que o SENHOR olha para o coração, e não para nossas imaturas tentativas de conquistar o Seu favor para benefício próprio.

Em 2Co 5, 17 lemos que “se alguém está em Cristo, é nova criatura”, e Gl 6, 15 diz que “em Cristo Jesus nem a circuncisão, nem a incircuncisão tem virtude alguma, mas sim o ser uma nova criatura”. Isso significa que se estamos verdadeiramente em Cristo, não apenas nossas ações são novas, mas também nossas motivações o são. Não se trata de fazer coisas diferentes, ou de um modo diferente, mas sim de fazer as coisas por razões diferentes – ainda que sejam as mesmas coisas de sempre. Precisamos aprender como orientar nossas motivações da forma correta ao buscar a Deus e ao estudar Sua Palavra. Precisamos da intenção genuína de atingir o verdadeiro poder de Deus: o Amor incondicional e desinteressado ao próximo.

A Palavra de Deus diz que Deus amou o mundo de tal maneira que deu Seu único filho – aquele que encarnava toda a essência do seu Poder, toda a plenitude da Divindade (Cl 2, 9) –, para que, uma vez que conhecêssemos e fôssemos movidos por esse Amor, não andássemos mais escravizados do egoísmo, da ignorância, do individualismo, das nossas ansiedades ou dos nossos apetites. Então poderíamos amar verdadeiramente, motivados por um genuíno desejo de ofertar, com gestos sinceros: ações que reflitam um coração curado, de intenções novas. Em Cristo, podemos nos relacionar com Deus e com as pessoas estando livres das nossas carências, das nossas inseguranças e da defesa dos nossos interesses. Amar de todo o coração, e oferecer a Deus e às pessoas a nossa vida sem a intenção de receber algo em troca.

Por isso, nosso desafio é corrigir as intenções do nosso coração, aprendendo a utilizar nossa fé e nossos desejos em favor dos outros. É a intenção que determina a qualidade do nosso estudo, da nossa busca e de tudo mais o que fazemos – além de determinar também o resultado. Ela é o instrumento segundo o qual medimos e avaliamos nosso relacionamento com Deus, pois como podemos compartilhar da natureza de Deus se não compartilharmos primeiro das Suas intenções?

Em testemunho da Verdade
--Danilo.

1 comentários:

Amanda disse...

Amém amor... que possamos ter esse coração disposto a amar!!! Beijão e amuu

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