Estou compartilhando com vocês um texto do Pr. Paulo Jr. Tremeeendo... Creio que uma reflexão sobre caridade é extremamente relevante e oportuna. Afinal, Jesus afirma no Evangelho de Mateus capítulo 24 versículo 12 que nesses últimos dias o Amor se esfriaria de quase todos os corações. Com toda certeza, não há como viver o Amor na sua essência e plenitude sem o entendimento do que significa a verdadeira Caridade. Portanto, nada estará mais comprometido no pensamento humano na atualidade do que a compreensão e prática do Amor. Devo confessar que no início da minha vida cristã, talvez por influência da cultura evangélica religiosa dominante à época, eu mantive por um bom tempo certo preconceito em aplicar a palavra caridade em qualquer área da vida e fé cristã. Para muitos da minha geração caridade era uma palavra quase que apócrifa, herética, destituída de revelação, menor, ou até mesmo contrária ao verdadeiro evangelho. A sensação é de que se tratava de algo relacionado às seitas ou clube de serviços. Era como se ao usar “caridade” como tradução de amor nós estivéssemos em um nível inferior de compreensão ou revelação. O preconceito chegava a tal ponto que eu evitava as traduções bíblicas que usavam caridade em lugar de amor nos seus textos. Ao comprar uma bíblia nova, a primeira coisa que eu fazia era abrir primeiro em I Coríntios 13 e conferir qual era a tradução usada naquela versão. Se, fosse caridade então aquela bíblia não servia. Com o tempo, na medida em que Amor deixou de ser apenas uma perspectiva desejável e passou a ser uma perspectiva tangível, a caridade foi se tornando a sua melhor e mais fiel tradução na minha vida. Quanto mais caminhamos com o Senhor mais compreendemos que Amor é o compromisso e a disposição de entregar ao outro o que o ente amado não poderia compensar ou adquirir por capacidade ou mérito próprio. A única recompensa para a oferta do Amor é que ele se torne conhecido e partilhável. O propósito do Amor, portanto, não é sua própria remuneração ou recompensa, mas transformar o coração e o entendimento daqueles que são afetados por ele, para que se tornem também instrumentos de revelação desse Amor. Hoje estou certo de que essa parede do preconceito religioso espiritualista que foi erguida no coração de muitos homens, como estava sendo no meu, é o resultado de uma ação planejada e aplicada pelo adversário das nossas almas, para que não compreendamos e vivamos o verdadeiro Amor. Como resultado desse preconceito aqueles que apelam para a caridade como meio de salvação acabam pecando contra a sua essência, transformando-a em meio de obtenção das bênçãos de Deus. Pois a essência da caridade é que ela não procura o seu próprio interesse ou benefício. Por outro lado, os que falam de amor como algo distinto da caridade, também pecam porque negam a sua eficácia. Como se o amor pudesse se restringir a conceitos desprovidos de iniciativas práticas. Aqueles que falam de caridade sem o conhecimento do verdadeiro Amor estão enganados, e aqueles que falam de amor sem a prática da caridade enganam. A caridade sem a consciência do Amor é uma heresia e o amor sem o testemunho da caridade é uma fraude. O Amor é a essência da Caridade e a Caridade a eficácia do Amor. Hoje, a minha mais absoluta convicção é que a caridade é forma prática do amor, e que ela se aplica a todos os níveis das relações humanas. De marido e mulher, de pais e filhos, de amigos e irmãos, de companheiros de trabalho e vocação. Pois, essa caridade tem, antes de tudo, a forma da Graça, da misericórdia, da paciência, da compaixão, da esperança, do cuidado, da ajuda, do carinho, da longanimidade, da temperança, da exortação, do ensino, do favor e do perdão. Se, você por um momento sentiu que associar a caridade à relação de um esposo com a sua esposa, soa estranho. Ou, pior, que isso diminuía a chama e o ardor da sua relação, como se a caridade comprometesse o romantismo e a paixão. É porque, talvez, você já esteja também contaminado pelo vírus do preconceito. Pois, a única coisa que a caridade inibe é que as relações sejam baseadas em expectativas e, por isso mesmo, sejam tão propensas às frustrações, às mágoas e aos ressentimentos. A caridade tem como recompensa a certeza de que o bem foi feito e que a virtude foi finalmente compartilhada. Está sempre pronta a oferecer tudo quando não se pode esperar nada em troca. É a entrega na sua forma mais despojada e livre. É ficar nu e não ter do que se envergonhar ou o que esconder. É não fazer da oferta o direito de receber a justa remuneração. Mas, podendo perdoar, perdoar; podendo sofrer junto, sofrer, podendo sorrir junto, sorrir. Nas palavras do apóstolo João na sua primeira carta, capítulo 3: “Aquele que tem alguma coisa nessa vida, e vê o seu irmão passando necessidade, e se recusa a repartir, fechando as trancas do seu coração, como pode estar nele o Amor de Deus. Então filhinhos, não amemos apenas de palavras, mas em ação e verdade”. Caridade é não suportar ser feliz sozinho. Pr. Paulo Borges Júnior.
Marcadores: Amor

Em Deuteronômio 6, 4 lemos: “Ouve, Israel, o SENHOR nosso Deus é o único SENHOR”. Esse versículo constitui a primeira frase da oração conhecida como Sh’ma, recitada diariamente por todos os judeus do sexo masculino até hoje. O próprio Jesus cita esse versículo e o seguinte, combinados com Lv. 19, 18, como sendo os maiores mandamentos (Mc 12, 29-34).
De fato, todas as coisas na criação tem seu eixo central em Deus, de modo que tudo é ordenado a partir dele. Não há nada semelhante a ele, e compreender isso faz parte da própria definição de “vida eterna” (Jo 17, 3). Paulo afirma categoricamente que há um só Senhor Deus e Pai, o qual é sobre todos, por todos e em todos (Ef. 4, 4-6), enquanto o salmista afirma que só ele faz maravilhas (Sl 72, 18).
Nada se compara ao Pai, pois Deus é único, um e especial.
Da mesma forma, o homem, que é a imagem conforme a semelhança de Deus, também sente a si mesmo como um, único e especial; cada um de nós se sente o centro de toda a criação, onde tudo gira à nossa volta.
Porém, enquanto permanecermos enraizados no nosso ego, a medida dessa individualidade se expressa de forma negativa, pois passamos a crer que nossas opiniões e interesses são mais importantes que os de todos os demais. Permanecemos incapazes de verdadeiramente nos colocarmos no lugar do nosso próximo e enxergar as coisas pelo seu ponto de vista. Egocêntricos, passamos a nos relacionar com as pessoas apenas na medida do benefício que podemos auferir. Exploramos nossos relacionamentos em nome do poder, do reconhecimento, da honra, das vantagens, ou do direito que desejamos ou achamos que nos é devido.
A palavra de Deus diz que, por causa do pecado, todas as coisas estão sujeitas à vaidade (Rm 8, 20). Assim, há uma mentalidade mundialmente difundida que prega a celebração incondicional de si mesmo. Trata-se de uma filosofia de vida voltada para o ganho pessoal, que determina uma forma de viver totalmente voltada para os interesses e satisfações pessoais. E essa opção de vida tem tornado o homem cada vez mais egoísta, vaidoso, individualista e isolado na solidão das suas próprias predisposições. Essa mentalidade diz que cada um de nós possui direitos sobre coisas e pessoas, e que nos é legítimo sair em defesa desses direitos.
O nome disso é iniqüidade.
Iniqüidade é o ímpeto de defender sempre nossos próprios direitos, ou os direitos que julgamos ter. É a expressão corrompida da medida da nossa individualidade. Note que a iniqüidade não é a maldade e si, mas é a raiz da maldade.
O homem iníquo é aquele que pensa primeiramente em si mesmo. Ele se isola em seus próprios pensamentos e apetites, priorizando aquilo que lhe convém. Esse homem acaba por revestir-se com seus próprios ressentimentos, deixando-se amargurar pelos seus desapontamentos. Ao se deparar com novos desafios e dificuldades, julga sempre que seus direitos estão sendo feridos e isso o magoa. Então, tal homem aprende a cultivar com especial cuidado seu rancor contra as pessoas que ele julga serem responsáveis por violar suas expectativas ou frustrar os seus planos.
E por causa da sua iniqüidade, ele se afasta do amor e passa a cometer maldade (Mt 24, 12). Ele se torna agressivo, possessivo, impaciente, ignorante, insensível e desconfiado. Seu egocentrismo faz com que ele opte por viver isolado em suas próprias razões, andando atrás apenas dos seus próprios direitos e desejos. Ele olha para as pessoas e acredita que todos devem respeitar o seu direito de ser feliz, de ser amado e de viver satisfeito (no trânsito, ai daquele que incomodar seu sagrado direito de dirigir, atrevendo-se a cometer erros!). E por isso, ele acaba produzindo a maldade, pois não vê limites ao defender seus direitos. O homem iníquo é capaz de odiar alguém em nome das suas razões. Ele é capaz de ferir alguém em nome da defesa do seu patrimônio, de prejudicar alguém em nome da sua conveniência, de sustentar uma amargura por anos a fio, apenas porque escolheu supervalorizar aquilo que ele considera ser seu direito pessoal, em detrimento do seu relacionamento com o próximo.
O homem iníquo pode até supor que pensa nos outros, pois costuma dizer que tudo o que faz é para o bem da sua família. Costuma dizer que tudo o que ele acumula é pelos seus filhos, todo o “seu sacrifício” é para garantir o conforto da sua esposa, ou uma educação melhor para suas crianças. Mas pouco ou nada se importa com os filhos, a família ou a esposa dos outros. E ai daquele que discordar da sua opinião sobre o que é melhor para a sua família (ainda que sejam os membros dessa própria família – aqueles para quem ele diz que faz todas as coisas)!
Quando a sua sobrevivência emocional está comprometida, o homem iníquo não respeita ninguém. Ele é capaz de passar por cima de quem quer que seja – pai, mãe, irmãos, esposa, marido, filhos, amigos, parceiros, sócios ou seja quem for – para assegurar suas prerrogativas. É até capaz de destruir um relacionamento em nome do seu direito de ser feliz. Não que este homem seja mau de fato, mas ele fez uma opção por uma vida iníqua, e isso levou a maldade para dentro dele e da sua vida. Ele não tem a intenção deliberada de machucar alguém, mas pensa: “Fazer o quê? Eu não podia correr o risco de sair prejudicado...”
Porém, deixando de lado a opção pela iniqüidade, e permitindo que Cristo nos leve a um lugar onde poderemos ser transformados pela renovação do nosso entendimento, temos a chance de adquirir os atributos do Pai. Então nos aproximamos dele, pois passamos a compartilhar da sua essência. Então vemos a Deus como ele é, pois assim como ele é nós seremos também.
Se aprendermos a nos corrigir e construirmos um relacionamento verdadeiro com o próximo, amando genuinamente, livre das nossas demandas e carências, então essa medida de individualidade se expressará em amor e doação ao próximo. Então você saberá que é especial, assim como o Pai o é, porque só você pode dar aos outros aquilo que dá a eles. O seu relacionamento com as pessoas será exatamente como o do SENHOR, que ama seus filhos. É assim que você revelará que é um com o Pai: amando a seu próximo como Cristo te amou.
Quando o Pai criou cada um de nós do jeito que somos, ele o fez para que pudéssemos manifestar seus atributos de forma especial e única, e é por isso que devemos colocar a medida da nossa individualidade a serviço de Deus. Cada um de nós traz dentro de si a possibilidade de manifestar a plenitude do Reino de Deus de forma individualizada. Não para que pudéssemos nos gloriar naquilo que nos torna únicos, mas para que aquele que deseja se fazer UM conosco possa ser, em tudo, glorificado. A medida da nossa individualidade não pode ser utilizada para testemunhar daquilo que reclamamos como nosso, mas sim para evidenciar aquilo que só nós podemos repartir por sermos quem somos.
É assim que organizamos nossa realidade partindo da ótica de Deus como eixo central da nossa vida: nos relacionando com nosso irmão da mesma forma que ele se relacionou conosco.
Há um desafio da parte de Deus em não vermos a ninguém mais segundo a carne (2Co 5, 14-17). Não devemos mais enxergar, ou mesmo avaliar as pessoas, segundo os olhos da nossa própria natureza, mas devemos buscar discernir todas as coisas a partir da perspectiva de Cristo, e Cristo vê todas as coisas segundo a ótica da sua misericórdia, do seu favor e da sua graça. Deus sempre nos olha com olhos de amor, de esperança, de bondade, de misericórdia e de paz, pois ele nos ama como um Pai ama seus filhos. Cristo não nos olha com olhos de julgamento (Jo 8, 15). É assim que a medida da sua individualidade manifestará a porção de graça que Deus confiou à sua vida. Esse é o seu ministério.
Em testemunho da Verdade
--Danilo.
“Porque o SENHOR não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o SENHOR olha para o coração.” (1Sm 16, 7)
Um grande sábio judeu do séc. II disse, certa vez, que “não é a ação que gera recompensa aos homens, mas a intenção que a determinou”.
Este é um conceito difícil de se assimilar, especialmente no mundo contemporâneo, o qual prioriza os resultados em detrimento dos processos e valoriza os relacionamentos apenas na medida dos benefícios que estes oferecem ou podem oferecer. Todos nós, nascidos segundo a natureza humana, temos em nós a semente da cobiça e do interesse pessoal. Estamos contaminados com a inclinação de colocar nossos próprios desejos e interesses acima de qualquer outro interesse.
E assim, as pessoas são guiadas apenas por sua percepção individual e por seu raciocínio individualista. Em tudo o que fazemos, o cálculo do que é “razoável”, puramente egoísta, é a base das nossas ações. Calculamos a quantidade de vantagens que esperamos auferir e comparamos com a quantidade de esforço requerida para sua conquista. Então, subtraímos um do outro para calcular o custo e depois decidimos se perseguiremos aquele objetivo ou se escolhemos a tranqüilidade de deixar tudo como está.
Muitas vezes, temos buscado a Deus nessa mesma perspectiva: dedicamo-nos a esta ou àquela doutrina em função da relação “o que me é oferecido X o que vai me custar”. Então, se “valer a pena”, fazemos o que é requerido de nós, pois o benefício que iremos auferir será compensador.
Contudo, de nada adianta “fazer” o que quer que seja, se continuamos movidos por tamanho egoísmo. A Palavra de Deus diz que o SENHOR olha para o coração, e não para nossas imaturas tentativas de conquistar o Seu favor para benefício próprio.
Em 2Co 5, 17 lemos que “se alguém está em Cristo, é nova criatura”, e Gl 6, 15 diz que “em Cristo Jesus nem a circuncisão, nem a incircuncisão tem virtude alguma, mas sim o ser uma nova criatura”. Isso significa que se estamos verdadeiramente em Cristo, não apenas nossas ações são novas, mas também nossas motivações o são. Não se trata de fazer coisas diferentes, ou de um modo diferente, mas sim de fazer as coisas por razões diferentes – ainda que sejam as mesmas coisas de sempre. Precisamos aprender como orientar nossas motivações da forma correta ao buscar a Deus e ao estudar Sua Palavra. Precisamos da intenção genuína de atingir o verdadeiro poder de Deus: o Amor incondicional e desinteressado ao próximo.
A Palavra de Deus diz que Deus amou o mundo de tal maneira que deu Seu único filho – aquele que encarnava toda a essência do seu Poder, toda a plenitude da Divindade (Cl 2, 9) –, para que, uma vez que conhecêssemos e fôssemos movidos por esse Amor, não andássemos mais escravizados do egoísmo, da ignorância, do individualismo, das nossas ansiedades ou dos nossos apetites. Então poderíamos amar verdadeiramente, motivados por um genuíno desejo de ofertar, com gestos sinceros: ações que reflitam um coração curado, de intenções novas. Em Cristo, podemos nos relacionar com Deus e com as pessoas estando livres das nossas carências, das nossas inseguranças e da defesa dos nossos interesses. Amar de todo o coração, e oferecer a Deus e às pessoas a nossa vida sem a intenção de receber algo em troca.
Por isso, nosso desafio é corrigir as intenções do nosso coração, aprendendo a utilizar nossa fé e nossos desejos em favor dos outros. É a intenção que determina a qualidade do nosso estudo, da nossa busca e de tudo mais o que fazemos – além de determinar também o resultado. Ela é o instrumento segundo o qual medimos e avaliamos nosso relacionamento com Deus, pois como podemos compartilhar da natureza de Deus se não compartilharmos primeiro das Suas intenções?
Em testemunho da Verdade
--Danilo.
Marcadores: Amor

