Perserverança no Caminho


Para vivermos uma vida de Fé, é essencial entendermos que as coisas na nossa vida se estabelecem a partir da Palavra de Deus e da sua revelação aos nossos corações. Muitas das confusões que vivemos são fruto das nossas tentativas de viver uma vida dedicada à Deus, enquanto fundamentamos nossos passos nas coisas que vemos e ouvimos.

A Palavra de Deus nos ensina que o justo vive pela sua Fé (Hc 2, 4). Isso significa que aquele que foi justificado pelo Amor de Cristo tem seu entendimento renovado e é capaz de discernir como Deus estabelece Seus processos. O justo sabe que tudo o que ele é (todos os elementos que determinam sua identidade) e os fundamentos de todas as coisas que ele vive estão estabelecidos na Palavra de Deus.

Desta forma, aquele que foi feito justo pelo sacrifício de Cristo entende que se algo não foi estabelecido pela Palavra de Deus, é algo que não tem lugar em sua vida. Ele não se identifica em tal coisa, e para ele aquilo não existe! São elementos que não tem lugar na realidade da sua vida.

No primeiro capítulo do evangelho de João vemos que Cristo é a Palavra Viva de Deus. E entendemos também que “todas as coisas foram feitas por Ele, e sem ele nada do que foi feito se fez” (Jo 1, 3). Mais adiante, quando Paulo escreve aos Colossenses (Cl 1, 16-17), vemos que Cristo não só criou e ordenou todas as coisas, como ele também as mantém, pois “todas as coisas subsistem por ele”. É Cristo – a Palavra Viva de Deus – que tem a prerrogativa de ordenar todas as coisas no universo segundo a vontade de Deus. Todas as coisas só encontram seu sentido em Cristo Jesus.

É necessário compreender isto para entender que todas as coisas que estão contra Cristo estão absolutamente fora de ordem. Não encontraram o seu sentido em Cristo, por isso serão tidas como refugo por aqueles que vivem pela sua Fé. Portanto, é possível que identifiquemos elementos ao nosso redor que não se mostrem congruentes com a Palavra de Deus revelada em nosso favor, mas tais elementos não têm relação com a verdade a cerca de nós mesmos. Talvez você veja coisas ou experimente contextos que testifiquem contra aquilo que Deus falou a seu respeito, mas é preciso que você reconheça que todas estas coisas estão fora de ordem e não dizem respeito a quem você é. Se a sua vida se estabelece a partir da Palavra de Deus, qualquer coisa que não encontrar seu sentido na Palavra de Deus não pode influenciar sua vida. É assim que o justo vive pela sua Fé. Pois “pela Fé, entendemos que o universo foi formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir a partir das coisas invisíveis” (Hb 11, 3).

No caminho desta vida somos constantemente atraídos por aquilo que nossos olhos percebem. O homem natural tenta sempre definir a identidade e o estado das coisas ao seu redor através dos seus sentidos naturais, e as conclusões que ele tira disso parecem ser as mesmas que qualquer outra pessoa tiraria, e isso é confortável.
A visibilidade das coisas agrada nossa natureza humana, pois gera uma (falsa) sensação de segurança. Enxergar as coisas nos permite escolher os caminhos de visual mais suave, de aparência agradável e sem nenhum risco visível.
No entanto, as coisas na nossa vida não são estabelecidas pelo que vemos, mas pelo que conhecemos através da Fé.

A perfeição de Deus irradia uma Luz tão intensa sobre caminho que o Pai traçou para nós que muitas vezes somos incapazes de compreendê-lo como um todo. Dessa forma, o discernimento destes caminhos só nos é possível aos poucos, o que faz do caminho de Deus um aparente “tiro no escuro”. Caminhar pela Fé implica que nem sempre saberemos exatamente por onde estamos indo, ou (mais importante ainda) quando é que vamos chegar lá.

Assim, o fato de não conseguirmos avaliar todos os obstáculos que poderemos encontrar pelo caminho, juntamente com a ansiedade de não saber qual será a duração da caminhada, roubam nossa atenção do caminho de Deus em si. Gostamos sempre de ter como critério de escolha a presença ou a ausência de dificuldades, e então nos afligimos. Ficamos preocupados e ansiosos. “Será que eu deixei de notar algum sinal?” “Deve ter alguma placa sinalizando uma curva, e eu deixei passar batido”. Ficamos com aquela sensação de que algum dos desígnios de Deus pode ter mudado, e começamos a questionar a promessa original. Somos invadidos com a sensação que o Pai pode ter mudado de idéia a respeito dos objetivos que ele tinha para nós, e que somos os últimos a saber. “Sei não, pastor... Deus tinha falado pra eu ir por ali, mas parece que as coisas não estão saindo bem do jeito que deveriam... será que os planos de Deus agora são outros? Será que ele mudou de desígnio, e ninguém me avisou? O que você acha? Deus te revelou alguma coisa? Ora comigo, pastor... pede pra Deus me dar um sinal, uma confirmação...” Às vezes, podemos até imaginar que algum pecado que possamos ter cometido tenha alterado os rumos de Deus para nós, mudando a bênção de lugar, ou ainda tirando a benção do nosso caminho. Ansiosos, chegamos a buscar “segundas opiniões”, a fim de encontrar na multidão dos conselhos algo que legitime nossa tendência de mudar de rumo. Porque a invisibilidade da Promessa de Deus parece-nos menos suportável que a tão duvidosa visibilidade daquilo que nos convém designar por “vontade de Deus”.

Mas é nesse contexto que se faz necessária a Fé. De um lado, vemos o caminho aparentemente mais conveniente para a satisfação dos nossos anseios imediatos. Do outro, um caminho no qual não conseguimos enxergar nada, mas onde reside a promessa do Pai. É desnecessário salientar que nossa tendência é seguir o que é mais seguro aos nosso próprios olhos. Nessa bifurcação aparente, muitas vezes nos sentimos confrontados com a necessidade de fazer uma escolha. E, independentemente do quanto você deseje e peça ao Pai, ele não vai escolher por você. O Pai já te indicou o caminho no princípio, e agora é com você (se você sabe na pele do que eu estou falando, fica aqui uma dica: Lemos em 2 Co 5, 7: “andamos por Fé e não pelo que vemos”). Independentemente das nossas escolhas, Ele sempre respeita a soberania que ele mesmo concedeu à nossa vontade, e não vai impor Seu caminho a nós. Essa escolha é de cada um, e é pessoal.

Amados, não se engane. O fato de não compreendermos a finalidade dos propósitos do Pai não significa que esses propósitos tenham mudado. A Palavra de Deus diz em Ml 6, 3: “Porque eu, o SENHOR, não mudo”. Os planos e desígnios do Pai são perfeitos e eternos porque Ele o é. Tudo o que Deus faz subsiste. Nem eu, nem você, nem o pecado, nem a santidade, nem coisa alguma poderia alterar o curso das promessas de Deus para a sua vida. Isso mesmo: nem mesmo o seu pecado pode modificar a promessa de Deus a seu respeito (Sl 89, 30-34).

Deus, em seu infinito Amor, ordenou o seu universo de modo que todas as coisas cooperem sempre para o seu bem, levando sempre em consideração a sua individualidade. Ele te conhece. E o caminho que te levará àquilo que Deus tem pra você nem sempre obedecerá a mesma direção do caminho que Deus tem para o seu vizinho (confira João 21, 20-22). O caminhar com Deus é uma experiência pessoal.

A decisão de optar “de primeira” pelo caminho de abandonar-se aos desígnios do Pai pode ser entendida como um “passo de Fé”. Isso porque a Fé implica a “certeza das coisas que não se vêem” com os olhos naturais (Hb 11, 1). O Caminho proposto pelo Pai, paradoxalmente obscurecido pela luz da Sua própria glória, pode – de fato – apresentar espinhos. Afinal, antes de chegar ao banquete preparado por Deus, passamos primeiro pelo Vale da Sombra da Morte. Mas a Fé se manifesta exatamente na certeza de que a Presença Divina te cercará como uma bolha impenetrável, assegurando sua integridade em face de qualquer perigo eventual.

Por isso, fixe suas convicções apenas na Palavra de Deus e em sua revelação, e não nas coisas que se vêem. Aprenda a enxergar o invisível através dos olhos da Fé, pois se você está em Cristo significa que todas as coisas na sua vida são estabelecidas a partir de Cristo, e não a partir do que é visível (2Co 4, 18).
E não tenha medo: lembre-se que o justo viverá pela sua Fé!

Em testemunho
--Danilo.

2 comentários:

Amanda S. Menezes disse...

Benção este texto, amor! Que Deus nos ensine a andar pela FÉ! Porque não é fácil... sempre somos tentados a andar pelo caminho mais fácil (aparentemente), sempre colocamos em prova as promessas de Deus... Sempre duvidamos do que Deus tem para nós... é só a coisa apertar que colocamos nossa fé em dúvida!!! Que Deus nos livre disso!!! Bjão e amuuu

Edson Guimarães Silva disse...

Abençoada tuas palavras meu nobre, sábias e profundas, um acalanto na alma e uma renovagada no vigor da vida em Cristo. Que Deus continue a ungilo com sabedoria, amor, fé e perserverança nesta longa e dura caminhada que é viver Jesus. Que fique aqui registrado minha admiração e que sou católico-cristão, para testemunhar o quanto estas lindas palavras são abençoadas, para que TODOS indiferente ao sua congregação saibam que é de Deus o que aqui foi dito.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo, para sempre seja louvado.

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